São José dos Campos, 22 de Novembro de 2017

Novo Dicastério para levar a frente à Nova Evangelização

 

A Santa Sé publicou ontem a carta apostólica de Bento XVI, em forma de motu proprio, intitulada Ubicumque et semper, com a qual se institui um novo dicastério da Cúria Romana: o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

 

O documento contém quatro artigos e uma reflexão do Papa sobre a necessidade de evangelizar e as particularidades da evangelização atual.

 

A finalidade do novo conselho pontifício, indicada no artigo 1 do motu proprio, inclui estimular "a reflexão sobre os temas da nova evangelização" e identificar e promover "as formas e os instrumentos adequados para realizá-la".

 

O motu proprio explica que a ação do novo conselho "está ao serviço das Igrejas particulares, especialmente nesses territórios de tradição cristã onde, com maior evidência, manifesta-se o fenômeno da secularização".

 

Entre as tarefas específicas do dicastério, o documento, datado de 21 de setembro, em Castel Gandolfo, indica "aprofundar no significado teológico e pastoral da nova evangelização".

 

Também busca favorecer o Magistério pontifício relativo às temáticas relacionadas à nova evangelização, dar a conhecer iniciativas ligadas a esta que já se realizam e promover novamente sua realização.

 

Tudo isso em estreita colaboração com as conferências episcopais interessadas e "envolvendo ativamente também os recursos presentes nos institutos de vida consagrada e nas sociedades de vida apostólica, assim como nas agregações de fiéis e nas novas comunidades.

 

Outra das tarefas do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização é "estudar e favorecer a utilização das modernas formas de comunicação como instrumentos para a nova evangelização".

 

Finalmente, o dicastério se encarrega também de "promover o uso do Catecismo da Igreja Católica, como formulação essencial e completa do conteúdo da fé para as pessoas da nossa época".

 

O novo dicastério é dirigido por um arcebispo presidente, o primeiro dos quais é o arcebispo italiano Rino Fisichella, que apresentou ontem publicamente, na Santa Sé, o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

 

Também contará com um secretário, um subsecretário, "um adequado número de oficiais" e membros próprios. Além disso, pode dispor de consultores próprios, segundo estabelece Ubicumque et semper.

 

Sempre e em todos os lugares

 

O título do motu proprio faz referência ao dever que a Igreja tem de anunciar sempre e em todos os lugares o Evangelho de Jesus Cristo.

 

No documento, Bento XVI constata que a missão evangelizadora da Igreja "assumiu na história formas e modalidades sempre novas, segundo as épocas, as situações e os momentos históricos".

 

E continua explicando que, "em nossa época, um dos traços singulares foi confrontar-se com o fenômeno do afastamento da fé, que se manifestou progressivamente em sociedades e culturas que há séculos pareciam impregnadas pelo Evangelho".

 

Também cita algumas transformações sociais das últimas décadas, "que modificaram profundamente a percepção do nosso mundo".

 

Entre elas, o Papa destaca "os gigantescos progressos da ciência e da tecnologia", "a ampliação das possibilidades de vida e dos espaços de liberdade individual", "as profundas transformações no campo econômico", "o processo de misturas de etnias e culturas, causado por fenômenos migratórios massivos" e "a crescente interdependência entre os povos".

 

A seguir, constata as consequências - algumas benéficas, outras preocupantes - de tudo isso na dimensão religiosa da vida do homem.

 

"Por um lado, a humanidade conheceu inegáveis benefícios destas transformações e a Igreja recebeu posteriores estímulos para dar razão da esperança que tem", explica o Pontífice.

 

"Por outro - acrescenta -, verificou-se uma preocupante perda do sentido do sagrado, chegando inclusive a questionar-se esses fundamentos que pareciam indiscutíveis, como a fé em um Deus criador e providente, a revelação de Jesus Cristo como único salvador e a comum compreensão das experiências fundamentais do homem como o nascer, morrer, viver em uma família, a referência a uma lei moral natural."

 

Bento XVI indica que recolhe os ensinamentos do Concílio Vaticano II e dos seus predecessores sobre a questão da relação entre a Igreja e este mundo contemporâneo e "a necessidade de encontrar formas adequadas para permitir que nossos contemporâneos escutem ainda a Palavra viva e eterna do Senhor".

 

Particularmente, recorda que Paulo VI destacou a cada vez maior necessidade do compromisso da evangelização devido às frequentes situações de descristianização, assim como o conceito de "nova evangelização" no qual João Paulo II aprofundou.

 

O conceito de "nova evangelização", recorda Bento XVI na carta, "resume a tarefa que espera a Igreja hoje, em particular nas regiões de antiga cristianização", que, "ainda que não se refira diretamente à sua forma de relacionar-se com o exterior, pressupõe, no entanto, antes de tudo, uma constante renovação interior".

 

"Considero oportuno oferecer respostas adequadas para que a Igreja inteira, deixando-se regenerar pela força do Espírito Santo, apresente-se ao mundo contemporâneo com um impulso missionário capaz de promover uma nova evangelização", afirma o Papa.

 

E acrescenta: "Esta faz referência sobretudo às Igrejas de antiga fundação, que, no entanto, vivem realidades muito diferentes".

 

O Papa constata a necessidade de evangelizar de maneira diferente "territórios onde a prática cristã manifesta uma boa vitalidade e um profundo arraigamento; outros onde se nota um mais claro distanciamento da sociedade em seu conjunto com relação à fé, com um tecido eclesial mais fraco e, finalmente, regiões que parecem completamente descristianizadas".

 

Estas últimas terras, nas quais "a luz da fé se confia ao testemunho de pequenas comunidades - explica Bento XVI -, precisam de um renovado primeiro anúncio do Evangelho" e, ao mesmo tempo, "parecem ser particularmente refratárias a muitos aspectos da mensagem cristã".

 

O Papa acrescenta que "todas as Igrejas que vivem em territórios tradicionalmente cristãos têm necessidade de um renovado ardor missionário, expressão da nova generosa abertura ao dom da graça".

 

E conclui afirmando que, "para proclamar de maneira fecunda a Palavra do Evangelho, é necessário antes de tudo que se faça uma profunda experiência de Deus".


Fonte:

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 12 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - http://www.zenit.org/article-26266?l=portuguese

 

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